Água

A água

 

    A água, como é do conhecimento de todos, é indespensável á sobrevivencia e desenvolvimento das plantas ( de resto a todo o tipo de vida na terra ), vamos então examinar de que forma a água e as suas propriedades pode influenciar o cultivo de plantas em vasos.
As plantas que vivem no chão ou mesmo em vasos que estejam no exterior e não sejam regadas artificialmente e apenas estejam dependentes da água da chuva , do ponto de vista quimico são regadas com água destilada , destilada naturalmente através do sol que a faz evaporar e que posteriormente sofrem condensão dando origem á formação de nuvens e nevoeiro que depois é colocada á disposição das plantas através da chuva ou da humidade do ar , é obvio que a água da chuva não é completamente pura visto que apanha particulas em suspensão e reage com alguns gases podendo formar as chamadas chuvas ácidas , mas esses casos são pontuais, podendo a água ser considerada na maioria dos casos como sendo praticamente pura.
Posto isto todas as plantas deviam ser regadas com água da chuva ou água destilada , para reproduzir as condições que elas obtêm na natureza.
Examinemos agora a água que temos disponivel nas nossas torneiras , a água provém de nascentes , albufeiras e captações subterrâneas , em todos estes casos a água está contaminada com os minerais que fazem parte do solo por onde passou antes de ser recolhida , depois a água sofre tratamentos de forma a ser adequada para consumo , tratamentos para garantir a segurança em termos biológicos e quimicos , mas apesar de ser segura para consumo humano quando chega a nossas casas, contém uma variedade de minerais que são resultado do percurso e tratamento sofrido antes de ser distribuida.
Agora consideremos um vaso , se fizermos uma análise aos compostos presentes no solo do vaso obtemos um determinado resultado , regamos uma vez com água da torneira e voltamos a fazer uma análise , provavelmente vamos obter o mesmo resultado , mas deixemos passar o tempo e ao fim de um ano e depois de várias dezenas senão mesmo centenas de vezes dependendo da necessidade de água da planta e voltamos a analisar o solo, ai vamos ver que a composição do solo vai estar alterada com o aumento da concentração de vários compostos que fazem parte da água que sai da torneira.
Resumindo os vaso são locais de acumulação dos compostos quimicos presentes na água com que são regados, e vai provocar a alteração das condições e causando efeitos no bem estar das plantas de forma continuada , imaginemos uma planta que necessita de solos ácidos ( maioria esmagadora das carnivoras ) , com o aumento da concentração de determinados compostos como o cálcario o pH do solo vai se tornando cada vez menos ácido e acabando por ficar alcalino o que pode levar á morte das plantas.
Então como é que devemos regar as nossas plantas com segurança, temos várias hipóteses:

Água da chuva , através de recolha e armazenamento
Água destilada comprada no comércio
Água da torneira , directamente ou tratada por sistemas de osmose inversa

 A sua escolha depende de vários condicionantes determinados pela situação especifica de cada um, vamos ver cada um destes casos:

Água da chuva:

Quem tenha condições ( espaço ) pode fazer a recolha de água da chuva e armazenar para utilização posterior , dependendo do número de plantas a regar isto pode ser mais ou menos fácil de praticar , vou dar um exemplo , alguem que apenas tenha 3 ou 4 plantas pode colocar uns baldes num local exterior quando chove e assim ir recolhendo água para regar e para armazenar num outro recepiente maior que depois utiliza quando precisa de regar em alturas do ano que haja menos precipitação ( verão ).
Um pequeno detalhe a ter em conta é que ao ler esta descrição algumas pessoas vão pensar imediatamente em recolher a água que escorre do telhado , isso não é a ideia ideal , pois os telhados ficam com muita sujidade nas alturas em que não chove , por acumulação de poeiras e terra e pode não ser a melhor opção , pelo menos para as primeiras chuvas , em épocas do ano em que a chuva seja mais continua já os telhados estão limpos e então esta opção é viável , mas convém sempre testar a água com um medidor de TDS ( assunto abordado mais tarde ) para ter a certeza que a quantidade de compostos dissolvidos na água é aceitavel.
As vantagens da água da chuva é que é o método mais económico de obter água para regar , as desvantagens prendem-se com a maior ou menor dificuldade que se possa ter na sua recolha e armazenamento visto que na altura que chove menos é quando é necessária uma maior quantidade de água.

Água destilada:

Pode-se adquirir água destilada perfeitamente adequada para regar plantas nos mais variados locais de comércio visto que a água destilada é utilizada para muitos fins , por exemplo :
nas baterias dos automóveis, nos ferros de engomar a vapor, nos estudios de fotografia, em aquários, em laboratórios, por isso desde o supermercado, á loja de artigos para automóvel muitos locais permitem adquirir facilmente água destilada.
As vantagens da água destilada comprada nestes estabelecimentos é a facilidade de adquirir a quantidade necessária em qualquer altura do ano , a desvantagem é o seu preço , que dependendo do numero de plantas se pode tornar demasiado elevado.

Água da torneira:

A água da torneira é em termos de facilidade e simplicidade a melhor maneira de regar as plantas, mas isso apenas quando a sua utilização directa é possivel, o que na maioria dos casos não acontece.
Para nos certificarmos da pureza da água da torneira deve-se recorrer a um medidor de TDS que nos permite de uma forma rápida avaliar a água que temos disponivel, para as plantas carnivoras considera-se como máximo admissivel um valor de 80 ppm , o ideal é o valor zero (valor da água destilada) , quanto maior for o valor ( abaixo de 80 ppm ) significa que vai existir acumulação de compostos no solo consequentemente para as plantas se manterem saudáveis durante longos periodos vai ser necessário um maior numero de transplantes para renovar o solo.
No caso de valores superiores a 80 ppm , a água não pode ser utilizada directamente , devendo ser utilizado um sistema de osmose inversa , estes sistemas são constituidos por várias etapas de filtragem em menor ou maior número dependendo da qualidade do sistema.
Vou dar um exemplo de sistema tipico, ter em conta que dependendo da complexidade/qualidade do sistema pode haver mais ou menos etapas do que as que mostro , mas exemplifica o que deve estar presente como minimo.

A água entra inicialmente no filtro de sedimentos , onde são filtrados as particulas em suspensão ( pequenos pedaços de matéria organica ou mineral ) , este filtro é indespensável para proteção dos filtros que se seguem , o filtro de carvão retira vários compostos entre eles o  cloro da água , finalmente a membrana faz o trabalho final e mais dificil de separar as moléculas de água dos outros compostos que se encontram dissolvidos.
Cada uma das etapas descrita pode conter mais ou menos filtros mas o objectivo mantém-se.
No final temos duas saidas de água , uma de água com um valor de TDS muito baixo ( tipicamente uma redução de mais de 95% do valor inicial ) e outra saida por onde sai a água residual com um elevado valor de TDS , esta água pode ser eliminada ou utilizada em alguma função que não implique uma qualidade de água elevada ( lavar o chão, o carro , etc ).
 

Para quem tiver curiosidade em saber qual o funcionamento da membrana de osmose inversa vou dar uma explicação resumida do processo. Num recipiente onde exista uma membrana semipermeavel a dividir esse recipiente em duas partes , se num dos lados for colocada uma solução concentrada e no outro lado for colocada uma solução menos concentrada vai haver uma movimentação de água da solução menos concentrada para a mais concentrada, isto é a osmose.O sistema usado para purificar a água é este mas no sentido inverso ( osmose inversa ) ou seja se for exercida uma pressão no lado da solução mais concentrada a água vai passar para o outro lado da membrana ficando sem os compostos nela dissolvidos isto acontece porque a membrana apenas deixa passar as moleculas de água.A figura abaixo ilustra os dois sistemas.

Medidor de TDS , funcionamento e utilização:

Um medidor de TDS ( TDS = total dissolved solids = sólidos dissolvidos totais ) é um aparelho que mede a resistência da água á passagem da corrente eléctrica , esse aparelho está calibrado de modo a apresentar o valor zero quando está mergulhado em água pura , a presença de compostos dissolvidos na água vai fazer alterar a resistência da água e é essa alteração que o aparelho nos mostra através de um valor no seu mostrador.
A utilização deste aparelho é bastante simples , bastando mergulhar uma sonda ou uma parte do aparelho ( depende do modelo ) na água e ler o valor apresentado.
Na imagem em baixo podemos ver um exemplo de um aparelho medidor de TDS , neste caso a parte creme do lado esquerdo retira-se para expor a sonda do aparelho e depois mergulha-se essa ponta na água a examinar , o valor aparece imediatamente no mostrador.